A fé é um tema frequentemente abordado entre os cristãos, seja através de pregações, livros ou canções. A fé como conceito é algo presente também em todas as manifestações religiosas, se não de exposto de modo organizado teologicamente na prática seu conceito é facilmente apreendido. O resultado é que sempre que se refere-se a fé, usando o vocábulo em questão, como o sentido da palavra linguísticamente falando, está sempre no ouvinte e não em quem diz, esse ouvinte entende o que bem deseja a partir de sua própria experiência.
Do ponto de vista da fé bíblica, mesmo em círculos cristãos evangélicos, é bem possível, mesmo após anos e décadas de experiência e vivência religiosas, não se ter a “fé” desejável biblicamente, mas outra “fé”, que no discurso se confunda bem com a primeira. É possível ter-se pastores sem essa “fé”, igrejas inteiras sem essa “fé”, denominações inteiras sem essa “fé” e nações inteiras sem essa mesma “fé”, embora todos esses ajuntamentos e associações humanas, se autodenominem, no caso “cristãs”.
Outra confusão é a que área da da vida religiosa, da experiência religiosa, se refere essa “fé”. Já vi discussões em que, determinado cristão de determinadas posição teológica, põe em dúvida a “salvação” do outro que não compartilha, não concorda com a sua posição, por ele obviamente considerada a única correta. Ambos pertenciam majoritariamente a uma mesma denominação e a uma certa posição teológica, mas discordavam em um ponto por eles considerado importante, mas que nem se referia a questão da redenção, salvação, etc.
Outro ponto é a relação entre o que se vê, se pratica, o vocabulário teológico usado, e a “fé”, como conjunto de crenças, arquitetura racional teológica. Aparentemente o fazer igual ou o fazer diferente implica, a priori, em uma fé diversa mesmo entre os que direcionam a sua fidelidade e amor ao mesmo Deus.
Essa fé parece se impor como um “pacote” herméticamente fechado e acabado no tempo e no espaço, algo que se deva apenas confessar em extensão e aparência, importando menos os resultados visíveis. Há recentemente uma diferença entre grupos cristãos evangélicos atuais, mais notadamente entre os neopentecostais e tradicionais, que estranhamente não negam esse aspecto prático nas ações necessárias no âmbito secular.
Dessa forma os “sinais”, os resultados da “fé”, são não só bem vistos mas necessários e prova cabal da fé bíblica manifestada e aceita por Deus. Estranhamente os calvinistas se impuseram, sobre certo aspecto do mesmo mod, tanto que a chamada “ética protestante” e o desenvolvimento do capitalismo, se impuseram do mesmo modo: o resultado positivo em todas as ações da vida eram provas cabais da aprovação de Deus, seja concernente à “eleição” do indivíduo quanto a aprovação de seus atos e projetos por Deus.
Bem, não me coloco aqui como alguém já saiba o que seja fé exatamente, e que a tenha praticado de tal forma a dar a receita final a todos que têm algum problema em crer com algum propósito objetivo, seja para salvação, para cura, para restruturação de áreas da vida como familiar, profissional, financeira, etc. Atenho-me a compartilhar a minha percepção do que não é “fé”, ao invés de apontar o que seja a fé mais desejável - essa só pode ser encontrada nas Escrituras, afinal "a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus."
Mas o que, afinal, a "fé" não é? A Fé, com "F" maiúsculo, não é “opinião”, ou não se restringe apenas a posicionamentos sobre um ou outro assunto. Muitos crentes após o conhecimento e aceitação da verdade bíblica, constroem sua vida e prática religiosa cristã-evangélica, em posicionamentos e passam a a adotar esses mesmos posicionamentos como ponto principal de sua cosmovisão e da sua relação com Deus. Deus deixa de ser o primeiro mas o segundo na hierarquia de importâncias relacionadas a fé. Não mais apenas Ele, mas o como as coisas são vistas e como se interligam, e por esse modelo se ofendem, se dividem, se odeiam e se excluem mutuamente.
Não que o "como" e os "por quês" e "porques" não tenham o seu lugar, os discípulos do Senhor tinham visões compreensões e descrições que não poucas vezes se afastavam das dadas pelo próprio Senhor, como na ocasião qie confundiram Jesus andando sobre o mar com um "fantasma" (!?). O importante é manter uma relação pessoal com Deus pois sem ela, toda a cosmovisão religiosa perde o sentido e se subverte desastrozamente. Se nos perguntarmos pela razão pela qual sempre a igreja parece se afastar da vontade de Deus, a resposta parece ser simples e uma só: começa a andar sozinha, sem comunhão íntima com Ele como no início da caminhada cristã.
Não que o "como" e os "por quês" e "porques" não tenham o seu lugar, os discípulos do Senhor tinham visões compreensões e descrições que não poucas vezes se afastavam das dadas pelo próprio Senhor, como na ocasião qie confundiram Jesus andando sobre o mar com um "fantasma" (!?). O importante é manter uma relação pessoal com Deus pois sem ela, toda a cosmovisão religiosa perde o sentido e se subverte desastrozamente. Se nos perguntarmos pela razão pela qual sempre a igreja parece se afastar da vontade de Deus, a resposta parece ser simples e uma só: começa a andar sozinha, sem comunhão íntima com Ele como no início da caminhada cristã.
Fé não é exatamente, comparada à fé bíblica, o arcabouço de um conjunto fechado de conceitos religiosos, embora haja sempre esse mesmo conjunto de crenças, a qual denomina-se teologia individual, esse conjunto de pontos que se crê ou não. Pode subsistir aparte e independentemente do conhecimento ou não de Deus, de uma experiência mais real ou não com Deus, como Jó que confessou ao final de sua experiência pessoal com Deus, em havê-lo conhecido “só de ouvir” mas que agora que agora o via com os seus próprios olhos.
A fé bíblica é individual, pessoal, provada e vivênciada, embora não seja resultado da projeção individual daquele que crê. Qualquer um pode inventar uma crença e passar a viver por ela, esperando que essa crença tenha validade. Desse modo estão excluídas todas as religiões e práticas religiosas “inventadas” pela imaginação humana. A verdadeira “fé” é a consonância entre a fé do que crê e a fé desejada, esperada por Deus no coração do crente, procurada por Ele nos que crêem. Essa é a fé bíblica.
Essa verdade é facilmente comprovada na revelação Escriturística, ou seja na Bíblia Sagrada, nos seus relatos e registros. A fé do centurião, uma fé não encontrada pelo Senhor Jesus Cristo mesmo entre o povo de Israel, educado religiosamente acerca da verdadeira religião e do verdadeiro Deus. A fé de Zaqueu, a fé da mãe cuja filha se encontrava doente que argumentou com Jesus que até os cães comem das migalhas que caem da mesa de seus donos”. Ou ainda da mulher com fluxo de sangue que se esforçou em tocar em Jesus em meio a multidão para ser curada ou de Zaqueu com seu arrependimento que lhes fez decidir o que devolveria a quem ele tinha roubado.
A fé bíblica, emerge da Bíblia e não aparte dela, nasce no coração do crente acalentada pela fé de um grupo. Desse modo é impraticável crer-se, vivenciar algo, e por em prática dentro de um grupo que a negue. Alguém não poderá vivenciar uma cura divina por exemplo, dentro de um grupo que a negue peremptoriamente ou que construa decididamente um conjunto de “reservas teológicas” a ela relacionada. A experiência da grossolália em um grupo que a negue. O “batismo no Espírito” em grupo que o negue o o explique teologicamente de outro modo ( o que é negar do mesmo modo). A salvação pela graça em meio católicos que conjuntamente a admitam em tese, mas que a neguem na prática com determinadas explicações teológicas. A salvação oferecida, oportunizada a todos, passível a todos os que crerem ( e não a imensa bobagem alardeada e sem novidade do pastor Bell ), em meio a um grupo que defenda a expiação limitada.
A fé é portanto individual e para uma possibilidade efetiva de concretização maior e frutos efetivos, deve concordar pelo menos com mais um, além de Deus é claro. É o que nos advertiu apropriadamente o Senhor Jesus. Permancer em uma igreja pelo prazer de brigar com todo mundo, não é só desgastante é infrutífero do ponto de vista pessoa, como para os próprios demais irmãos, a quem presunsosamente se deseje "recuperar".
A fé é portanto individual e para uma possibilidade efetiva de concretização maior e frutos efetivos, deve concordar pelo menos com mais um, além de Deus é claro. É o que nos advertiu apropriadamente o Senhor Jesus. Permancer em uma igreja pelo prazer de brigar com todo mundo, não é só desgastante é infrutífero do ponto de vista pessoa, como para os próprios demais irmãos, a quem presunsosamente se deseje "recuperar".
A fé bíblica agrada a Deus de modo diferenciado e a falta dela, diametralmente, impede a ação e o agir de Deus em todos os sentidos, seja se revelando, seja intervindo na vida do indivíduo ou da igreja local, por anos,décadas e séculos. Algumas vezes Jesus não pode operar milagres em alguns lugares por causa da “incredulidade deles” registram as Escrituras.
A fé pode ser alimentada e opostamente “contaminada” pro pessoas a nossa volta. Curiosamente as grandes experiências com Deus em toda a Bíblia só são possíveis no seu nascedouro e e no ápice dos grandes embates, solitariamente, longe dos incrédulos e até mesmo dos que de certo modo tenham o mesmo conhecimento religioso. A chamada de Abraão, a experiência de Jacó, a experiência de Jó e mais recentemente ( nem tanto para nós ) a Reforma com a experiência de Lutero. João em Pátmos, Saulo no caminho de Damasco e experiências inúmeras e anônimas contemporâneas.
A experiência mais individual entretanto e que demande uma fé estritamente bíblica e o início de toda comunhão com Deus é sem dúvida a fé da conversão. A crença direcionada e claramente definida na pessoa de Jesus Cristo como Deus e Filho de Deus. A crença que após a nossa experiência individual da morte, um dia na eternidade, imediatamente como descrita por alguns, Ele nos ressucitará e nos receberá para que onde Ele está, estejamos, nós todos os que cremos nEle, com Ele estejamos, salvos, perdoados, graciosamente premiados com a voda eterna.
Nenhuma religião, igreja, teologia, agente ou representante religioso até mesmo cristão possa fazê-lo. Não há substituo para essa fé bíblica, nenhuma alternativa ou variante para a experiência individual sobre a qual toda uma caminhada e um leque de experiências verdadeiramente bíblicas se abrem como reais possibilidades para toda uma vida.
Nenhuma religião, igreja, teologia, agente ou representante religioso até mesmo cristão possa fazê-lo. Não há substituo para essa fé bíblica, nenhuma alternativa ou variante para a experiência individual sobre a qual toda uma caminhada e um leque de experiências verdadeiramente bíblicas se abrem como reais possibilidades para toda uma vida.
Por Helvécio S. Pereira
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